@pettiteamelie

Acordar com o barulho de patas arranhando a porta. Ganhar lambidas de manhã. Brincar de bolinha, bumerangue, borboleta. Entender de ossinhos, rações, vacinas e troca de dentes. Assistir à TV com companhia. Tirar um cochilo com os pés quentinhos. Ter sempre uma calorosa recepção ao abrir a porta. Ganhar abraço com patinhas. Encontrar a casa cheia de papel picado na volta do cinema. Ver um rabo abanando apressado, olhar nos olhos e sentir o mais puro amor.

Quando ela sobe na cama, todas as manhãs, arranca de nós o primeiro sorriso do dia – brinca com o “papaizinha” de pique-esconde na coberta, lambe, cheira, coça sua saia de pelos e se aconchega ali mesmo, no meio dos babões que amam ver o seu focinho barbudo bem de perto.

IMG_1668Nem bagunça, nem barulho, nem todas as coisas que eu tenho que fazer diariamente por ela e para ela me fariam desistir de viver a vida do seu lado. Ser “mãe” da minha pequena Shnauzer é daquelas coisas que eu entendo por presente de Deus.

[Quadradinhos de memórias em @pettiteamelie no instagram]

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Close to you

A memória traz um filme longo.

Tantas coisas divididas, tantas histórias compartilhadas. Brigas, tropeços, colos, recomeços. Eu ainda sinto o cheiro do quartinho com 3 camas onde a gente aprendeu a ser mais que irmãs.

Ju, Laís e eu. As meninas do Jayme e da Maricely. As 3 netas, sobrinhas, amigas, madrinhas.

A vida passou muito rápido e eu sinto uma mistura de saudade e de expectativa pra ver quais serão os próximos passos delas. Peço a Deus que viva o suficiente pra vê-las conquistar seus sonhos e construir suas famílias, cheias desse amor que transborda em 3 corações.

Nem sempre foi fácil ser 3, quando 3 cabeças pensam diferente em suas diferentes rotinas. Mas nas tantas vezes em que não é fácil ser 1, eu escolho viver bem perto das 2 “rimãs” que Deus me enviou.

FullSizeRender (2)Hoje eu risco o item 6 com a música que a mamãe ouvia no carro na volta da escola. A mesma do meu casamento, quando as minhas 2 damas entraram de mãos dadas, pra abençoar as minhas alianças. O amor que está no coração, no sangue, nos gestos e nas palavras está também na pele.

Close to you, Ju e Laís. É tudo que eu preciso, pra sempre.

Como diz a música

Blackbird singing in the dead of night.
Eu não achei que fosse viver isso antes dos 30, apesar de ser um item muito especial pra mim. Tantas desculpas, tantas noites gastas em projetos terceiros e tantas prioridades que nunca, nunca o item 05 tinha conseguido o espaço que merecia na minha vida.

Take these broken wings and learn to fly.
Mas da frustração veio uma energia diferente. Uma coragem repentina e uma vontade louca de aprender a vencer os medos que me distanciaram disso até aqui. Uma liberdade sem culpa pra dizer “não” a tudo que não fosse parte do meu sonho renegado. Veio uma dedicação natural e diária que estava esperando há muito tempo pra chegar e mudar tudo.

All your life/You were only waiting for this moment to arise.
Sem mais espera. Eu vejo um pequeno sonho sair do papel e, tímido, bater as asas para um voo incerto, arriscado, especial e intenso. Vejo e sinto esse momento com o sorriso honesto de quem não sabe fazer direito, mas está pronta pra um start imperfeito. Pronta e feliz.

Blackbird fly /Blackbird fly.

Desses últimos dias

Eu já entendi.

É acordar e fingir um outro começo de dia. É encontrar pedaços de memórias na rua, no programa de TV, no móvel da sala, no tempero do arroz, no cheiro da toalha. É tentar ler alguma coisa e se perder revendo histórias no teto do quarto. É não ignorar a cadeira vazia. É não se acostumar com 1 escova, 1 prato, 1 par de chinelos. É não se conformar com a ausência. É não ser inteiro.

Saudade é isso.
Saudade é o nome desses últimos dias.

Apenas thinking out loud.

A poltrona preta

Parei diante da poltrona preta por alguns minutos.

FullSizeRenderEla foi herdada da casa da minha mãe e eu estava esperando o momento (leia-se dinheiro) para conseguir reformá-la.

A princípio, a poltrona foi colocada ali, no canto da sala, pra ser nosso canto de leitura. Há poucos meses, quando nos perguntaram qual era o lugar preferido da casa, a resposta veio bem rápido: era ela.

Pensei na reforma. Mudaria a cor? Não. O tecido? Também não. Acrescentaria duas almofadas, talvez, só pra ver o Igor desarrumar tudo e deixar as coisas como ele gosta: dois controles da TV de um lado, o controle da GVT e do videogame do outro.

Continuei olhando enquanto a Amelie subia pra brincar com um osso (talvez por isso estivesse precisando tanto de uma reforma!), e fechei os olhos pra me lembrar de como aquele pequeno pedaço da minha casa tinha ficado tão grande, tão cheio de memórias.

É lá, sobre o fundo preto, macio e desgastado, que o colo dele recebe meus choros, minhas manhas e brincadeiras, e acolhe cheio de carinho as duas meninas da casa – Amelie e eu – num abraço único e delicioso.

Era pra ser só uma poltrona preta. Mas eu prefiro chamar de “pequeno pedaço de paraíso”.

Sobre saltos e baixos

20 saltos sobre a caixa de madeira. Um segundo de descuido, um tornozelo virado, uma semana de bota ortopédica, 5 semanas de inchaço.

Desde então, eu troquei o salto alto pelos pés no chão. E sem opção, decidi cuidar de mim e de todas as coisas que estavam pendentes.

Um novo emprego a caminho, uma nova rotina (com Amelie!), uma nova postura pra enxergar as coisas, um novo jeito de lidar com a minha ansiedade. Mais orações, mais móveis pra minha casa, mais música, mais almoços com a minha família, mais receitas pra receber amigos, mais tempo pra dormir e um feriado inteiro em casa, com ele.

Um longo mês de fevereiro chegou ao fim com a reviravolta lenta, silenciosa e intensa que precisava acontecer.

Agora chego ao mês de março me arriscando em saltos altos, com a tarefa de manter o coração em paz e os pés andando mais devagar.

Sobre o item 3

Mal abrimos o portão e ela veio correndo, lá de longe, pra me lamber. Uma pequena bola de pêlos de focinho gelado na cor Sal&Pimenta.

Olhei imediatamente pro Igor com um sorriso enorme e o coração já sabia que era ela. Sem muita demora, fomos pro carro. Ele, eu e nossa filhote de Schnauzer.

Com seus 1,5kg e 46 dias, Amelie chegou à minha casa pra ocupar um espaço enorme em nossas vidas – um espaço que eu nem sabia que existia. E desde então, somos “pais” cuidadosos de um bichinho que se alegra com a nossa presença a cada movimento que fazemos. Que nos faz sentar no chão, rir, ficar putos com a bagunça dela e imensamente felizes no instante seguinte, quando ela corre pra deitar em cima dos nossos pés e chinelos.

IMG_9628E assim Amelie começa a seguir o seu fabuloso destino: mudar a rotina de um casal que ainda não tinha motivos suficientes pra desacelerar.

Agora tem.

Risquei o item 3 da lista e sinto que alguma coisa mudou. Sinto que a nossa menina de 4 patas trouxe ares de família pro vigésimo primeiro andar.

V.

Ainda me lembro do dia em que cheguei à Casa Brasil e conheci a menina ruiva que ficava do outro lado da mesa. Eu gostava do jeito, do abraço de bom dia, das balinhas, das músicas que ela ouvia. E pouco tempo depois eu já sabia que não seria passageiro. Porque V. não é dessas que passam pela vida de alguém – ela chega e fica, e conquista um grande espaço no coração da gente.

Desde que ela foi pra França, muita coisa aconteceu. O meu casamento, o namoro dela, a minha casa, a nova casa dela. Quando eu entrei na sua casa em Caen e vi nossas fotos no mural, os olhos tiveram que segurar firme. E seguraram várias vezes nos 9 dias seguintes de viagem.

Exceto por um momento.

Era manhã do dia 31 de dezembro de 2014, quando Quentin se ajoelhou no meio da rua, tirou uma linda aliança do bolso e a pediu em casamento. Chorei de alegria, de orgulho, de felicidade. Era a menina ruiva, que agora é loira, vivendo a parte mais incrível da sua história. E eu estava lá.

A distância não deixou que ela estivesse no meu casamento e provavelmente não permita que eu esteja no seu, mas isso definitivamente não muda nada no que somos, vivemos e ainda vamos viver.

Coordenadas geográficas

Quase 5 anos depois, pisamos os pés no mesmo lugar: N 48°51’43” L 2°17’18”, onde o que era rolo virou história e o que era aventura virou namoro.

Trocadero, Paris, com vista para a torre Eiffel. Era o primeiro “sim” que eu dizia para o cara que hoje me orgulho em chamar de marido. Um “sim” que virou dois e foi transformado em tatuagem no segundo aniversário de namoro.

2010-2015

O mesmo frio, a mesma vista, o mesmo coração acelerado. Era exatamente assim que eu pretendia reencontrar aquele lugar e ter a certeza de que nossas memórias trariam de volta aquela deliciosa sensação de começo.

De fevereiro de 2010 a janeiro de 2015, a melhor parte da minha vida aconteceu e, de alguma forma, eu sinto que essa parte acabou de começar, de novo.

Sala de embarque

Meus últimos 15 dias foram uma correria em busca de encontros com as pessoas que eu amo.

Uma noite com os melhores amigos da faculdade, uma pizza com os vizinhos, uma festa com amigos do trabalho, um jantar com meus pais, irmãs, cunhados e avó, um almoço mexicano com a família do Igor, um vinho com amigos de Brasília, um Natal divertido com a minha grande família, um chope com alguns padrinhos de casamento, uma viagem com o meu marido.

Nesse minuto, na sala de embarque, respiro aliviada por ter tido tempo pra isso e penso nos planos que vão me trazer um 2015 cheio dessa sensação boa que eu sinto agora.