Um lugar pra recordar

“Uma cidade unida pelos telhados, e completamente separada debaixo deles”. 

Estávamos no telhado do mercado de Jerusalém, onde a vista é incrível. Chegamos até lá com um grupo de turistas e a simpática Iel, guia da cidade. A frase dela ficou na cabeça e abriu caminho pra entender as histórias e conflitos de toda aquela gente, que jamais abriu mão da sua fé, nem mesmo pela paz.

imageAo final de 2 horas passeando pelas estreitas ruas da Cidade Velha, eu estava diante da Holy Sepulchre, a igreja construída sob o lugar onde Jesus Cristo foi crucificado, morto e ressuscitado. E Quem acredita nisso, como eu, não pode passar imune a esse lugar e a todos os outros onde Ele escreveu sua história – pisou, ensinou, viveu e sofreu. Lugares incrivelmente simples, que enchem a gente de uma energia forte, verdadeira e indescritível.

Hoje é meu terceiro e último dia em Jerusalém. Ou não. A história dessa terra não foi feita pra sair da gente.

Advertisements

Sobre Jerusalém

Botei meus pés em Jerusalém às 17h do dia 4 de agosto (horário local).

A paisagem é diferente de tudo que eu já vi: uma cidade moderna, com construções de pedra, monumentos enormes, pequenas lojinhas de rua, alfabetos indecifráveis nas placas e rótulos, e judeus, muçulmanos e cristãos circulando com seus estilos e rituais.

E a verdade é que, depois de 48h de viagem, 1 dia em Madri e duas noites sem dormir, eu estava anestesiada diante de tanta informação, sem conseguir absorver toda a essência desse lugar.

20140805-053226-19946626.jpg

“Como você se sente?”, ele me perguntou.
“Estranha”.

Voltando pro hotel, eu pensava na textura lisa do muro das lamentações e na energia forte que eu senti quando estava lá. Fiz um pedido pela minha família em um pedaço de papel e encaixei entre as pedras, como manda a tradição, e andei em silêncio cortando o vento em direção ao lugar onde homens e mulheres podem ficar juntos.

Fui dormir com a certeza de que encontraria uma nova Jerusalém no dia seguinte.

Sobre conflito

Conflito na faixa de Gaza. Mais de mil mortos.

Eu planejei essa viajem por 10 meses. Fantasiei todos os sentimentos incríveis que eu teria quando pisasse o chão da Terra Santa. É um tanto de curiosidade misturada com a ansiedade de fazer o coração experimentar emoções intensas, únicas e inexplicáveis. Daquelas que marcam a vida da gente em antes/depois.

O conflito não acabou e faltam 5 dias. Cancelamos os hotéis há 1 semana. Tentamos Vienna, Praga, Bratslava, Budapeste. Nada. Tentamos mais tempo na Turquia. Não. O coração pedia Israel.

“Mas vocês vão desistir né? Não há dinheiro que pague a segurança.”
“Soube que você tem uma viagem pra Israel. Espero que tenha mudado de ideia.”

Aqui dentro, o conflito acabou. “Nobody said it was easy”- toca o headphone nesse momento – “I’m going back to the start”.

No dia 4 de agosto, meus pés estarão onde eu planejei estar.