Sobre o item 3

Mal abrimos o portão e ela veio correndo, lá de longe, pra me lamber. Uma pequena bola de pêlos de focinho gelado na cor Sal&Pimenta.

Olhei imediatamente pro Igor com um sorriso enorme e o coração já sabia que era ela. Sem muita demora, fomos pro carro. Ele, eu e nossa filhote de Schnauzer.

Com seus 1,5kg e 46 dias, Amelie chegou à minha casa pra ocupar um espaço enorme em nossas vidas – um espaço que eu nem sabia que existia. E desde então, somos “pais” cuidadosos de um bichinho que se alegra com a nossa presença a cada movimento que fazemos. Que nos faz sentar no chão, rir, ficar putos com a bagunça dela e imensamente felizes no instante seguinte, quando ela corre pra deitar em cima dos nossos pés e chinelos.

IMG_9628E assim Amelie começa a seguir o seu fabuloso destino: mudar a rotina de um casal que ainda não tinha motivos suficientes pra desacelerar.

Agora tem.

Risquei o item 3 da lista e sinto que alguma coisa mudou. Sinto que a nossa menina de 4 patas trouxe ares de família pro vigésimo primeiro andar.

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V.

Ainda me lembro do dia em que cheguei à Casa Brasil e conheci a menina ruiva que ficava do outro lado da mesa. Eu gostava do jeito, do abraço de bom dia, das balinhas, das músicas que ela ouvia. E pouco tempo depois eu já sabia que não seria passageiro. Porque V. não é dessas que passam pela vida de alguém – ela chega e fica, e conquista um grande espaço no coração da gente.

Desde que ela foi pra França, muita coisa aconteceu. O meu casamento, o namoro dela, a minha casa, a nova casa dela. Quando eu entrei na sua casa em Caen e vi nossas fotos no mural, os olhos tiveram que segurar firme. E seguraram várias vezes nos 9 dias seguintes de viagem.

Exceto por um momento.

Era manhã do dia 31 de dezembro de 2014, quando Quentin se ajoelhou no meio da rua, tirou uma linda aliança do bolso e a pediu em casamento. Chorei de alegria, de orgulho, de felicidade. Era a menina ruiva, que agora é loira, vivendo a parte mais incrível da sua história. E eu estava lá.

A distância não deixou que ela estivesse no meu casamento e provavelmente não permita que eu esteja no seu, mas isso definitivamente não muda nada no que somos, vivemos e ainda vamos viver.

Coordenadas geográficas

Quase 5 anos depois, pisamos os pés no mesmo lugar: N 48°51’43” L 2°17’18”, onde o que era rolo virou história e o que era aventura virou namoro.

Trocadero, Paris, com vista para a torre Eiffel. Era o primeiro “sim” que eu dizia para o cara que hoje me orgulho em chamar de marido. Um “sim” que virou dois e foi transformado em tatuagem no segundo aniversário de namoro.

2010-2015

O mesmo frio, a mesma vista, o mesmo coração acelerado. Era exatamente assim que eu pretendia reencontrar aquele lugar e ter a certeza de que nossas memórias trariam de volta aquela deliciosa sensação de começo.

De fevereiro de 2010 a janeiro de 2015, a melhor parte da minha vida aconteceu e, de alguma forma, eu sinto que essa parte acabou de começar, de novo.