Sala de embarque

Meus últimos 15 dias foram uma correria em busca de encontros com as pessoas que eu amo.

Uma noite com os melhores amigos da faculdade, uma pizza com os vizinhos, uma festa com amigos do trabalho, um jantar com meus pais, irmãs, cunhados e avó, um almoço mexicano com a família do Igor, um vinho com amigos de Brasília, um Natal divertido com a minha grande família, um chope com alguns padrinhos de casamento, uma viagem com o meu marido.

Nesse minuto, na sala de embarque, respiro aliviada por ter tido tempo pra isso e penso nos planos que vão me trazer um 2015 cheio dessa sensação boa que eu sinto agora.

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Saldo

Eu não tenho muito pra reclamar de 2014. Foi um ano de momentos importantes, de viagens memoráveis, de crescimento profissional e de muitas comemorações (leia-se festas e encontros regados à vinho).

Mas faltou tempo.

Faltou um minuto a mais pra dizer que amo. Faltou um encontro pra simplesmente rir. Faltou aquele abraço mais longo. Faltou silêncio, faltou barulho, faltou gente, faltou palavras. Faltou Igor, faltou amigos, faltou família. Ou fui eu que faltei?

Sobrou expectativa.

Mais um ano e eu continuo precisando de tempo. Não sei se é consequência dos 30 que se aproximam, ou da exigência que aumenta. Mas continuo lamentando pela chuva que eu não vi, o livro que não terminei de ler, o telefonema que eu não dei, a carta que eu não respondi, a música que eu não ouvi de novo.

Faltou um ano inteiro dentro de 2014, quando eu só trabalhava e corria e trabalhava e corria mais. “Você não tem tempo pra respirar”, ouvi na semana passada. E chorei sozinha percebendo que a minha falta de tempo é tão real que dói. Em mim e nas pessoas que eu amo.

E daí eu espero a próxima viagem pra “respirar com tempo”. E depois voltar à rotina de sobreviver, me desdobrando em mil pra viver intensamente o pouco tempo que eu tenho.

Somando tudo que 2014 trouxe de incrível e subtraindo tudo que eu não fiz, o saldo é uma mistura de sentimentos. De gratidão por tudo e todos que fizeram parte dessa história e de saudade do tempo em que eu começava e terminava alguma coisa sem olhar no relógio.

Eu tinha muitas coisas pra desejar pra 2015. Mas desejo apenas mais tempo para o não intenso e para o não fazer. Mais tempo pra ser a Allyne que esperam de mim, e a Allyne que os meus 30 anos merecem.

Falta pouco, mas falta muito

A menos de 20 dias das minhas férias, os calmantes estão de volta. Nada novo; apenas a velha ansiedade me dizendo que eu deveria ter pensando mais em mim.

Daqui até o dia 26, o caminho é longo e os dias são curtos. Hora de tirar da gaveta aquela velha habilidade de me desdobrar em 15 pra não enlouquecer (ou não fazer enlouquecer os que estão por perto).

De um dia qualquer

bartolomeuSaí pra jantar com o meu melhor amigo. Desabafei sobre as coisas boas e chatas do dia, pedi conselhos, ouvi opiniões. Minutos depois, estava diante de um professor, falando sobre coisas que eu faço questão de não saber pra continuar vendo-o explicar, atento e tranquilo. Na segunda taça de vinho, era o namorado que eu via. Olhos brilhantes e sorriso solto, quase sem compromisso, dizendo coisas desconexas. Na volta pra casa, era um adolescente que dirigia. E antes de dormir, era o abraço inconfundível de marido que eu sentia encerrar o meu dia.

Vira e mexe, em uma noite qualquer, ele decide usar todas as suas armas pra me conquistar de novo, e eu insisto em me deixar levar por todas elas.