Uma noite

Festa black tie. Eu nunca tinha estado numa dessas antes. Senhoras elegantes, smokings, buffet à francesa, orquestra tocando e uma mesa com os amigos (desde já divertidos) de um cara que eu mal conhecia.

“Tenho uma festa do Correio Braziliense pra ir. Vamos comigo? Eu te busco.”

Peguei o vestido mais chique que eu tinha no guarda-roupa, fiz a mala, despedi da minha mãe (que ainda nem sabia o nome do tal cara de Brasília) e esperei na porta até que ele chegasse pra me buscar (BSB-GYN-BSB).

A festa era só o começo. Tínhamos ingressos para um show do Jazon Mraz na mesma noite. Aproveitamos o jantar e saímos de fininho, de gravata borboleta e salto alto, para o show que acabava de terminar. A gente não acreditava naquilo. O show já tinha acabado e estávamos naquele traje todo numa noite cheia de acontecimentos inéditos. Foi quando entramos no carro, rindo daquilo tudo, e passeamos sob o céu maravilhoso daquela cidade.

Era tudo novo. O beijo, a roupa, a paisagem, a circunstância. Era novo e louco. E eu adorava a sensação que isso me dava. Aliás, ainda adoro quando um imprevisto acontece e a gente se diverte mais que o previsto.

Hoje me lembrei disso ouvindo Long Drive. Deu saudade.

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Sobre o item 24

Hoje é um dia especialmente bom pra falar sobre o item 24 (ter uma barriga travada), porque depois de 40 dias acordando cedo pra malhar, eu desliguei o despertador e dormi de novo.

Fiz um plano quadrimensal de crossfit e comecei a primeira aula sem realmente acreditar que eu estava ali, entre caixas e bolas de peso, fazendo uma atividade física que eu já critiquei mil vezes. Mas como os 30 anos se aproximam e eu ainda tento levar essa lista a sério, fiz o pacote completo: nutricionista funcional, dieta, suplementos, refrigerante zero (item 27) e malhação.

Tudo isso pra chegar no dia de hoje: o dia em que eu usei o meu horário de almoço pra repor uma aula perdida. Quem diria! Tá certo que a experiência não é tão boa quanto às 7h da manhã, mas ajudou a não perder o ritmo. E acho que agora até posso dizer que essa é a minha nova rotina: cross 5 vezes por semana, com chuva ou sol, com ou sem dores no corpo, com despertador funcionando ou não. É só pensar no item 24 e não olhar pra trás.

 

Faz um tempo

Faz um tempo eu vivia na companhia de 5 adoráveis velhinhos. O casal simpático do interior de Minas, do melhor feijão e do melhor papo no fim de tarde; o casal dedicado de Goiânia, da máquina de costura e da rapadura com farinha e, claro, a bela senhora de olhos azuis que não conheceu a escola, mas conheceu o mar aos 85.

1, 2, 3. Três mortes quase consecutivas. Três saudades irremediáveis.

Faz um tempo eu desejo diariamente que vivam mais, muito mais, as duas senhoras que ainda estão por aqui.

[Enquanto isso, no headphone: https://www.youtube.com/watch?v=9ZImH4boCCw)