Sobre conflito

Conflito na faixa de Gaza. Mais de mil mortos.

Eu planejei essa viajem por 10 meses. Fantasiei todos os sentimentos incríveis que eu teria quando pisasse o chão da Terra Santa. É um tanto de curiosidade misturada com a ansiedade de fazer o coração experimentar emoções intensas, únicas e inexplicáveis. Daquelas que marcam a vida da gente em antes/depois.

O conflito não acabou e faltam 5 dias. Cancelamos os hotéis há 1 semana. Tentamos Vienna, Praga, Bratslava, Budapeste. Nada. Tentamos mais tempo na Turquia. Não. O coração pedia Israel.

“Mas vocês vão desistir né? Não há dinheiro que pague a segurança.”
“Soube que você tem uma viagem pra Israel. Espero que tenha mudado de ideia.”

Aqui dentro, o conflito acabou. “Nobody said it was easy”- toca o headphone nesse momento – “I’m going back to the start”.

No dia 4 de agosto, meus pés estarão onde eu planejei estar.

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29

lista dos 30 não saiu da cabeça.

Abri o blog, reli o post do dia 3 de dezembro de 2012 com cuidado e constatei o óbvio: a lista continua a mesma, eu não.

Aprendi que festas sem motivo acontecem sempre que meus amigos e familiares enchem o meu apê de sorrisos (item 04), que a minha atual coleção de lingeries é suficiente pra me fazer sentir bonita (item 11) e que mais importante que investir em LPs, é ter mais tempo pra ligar a vitrola (item 19).

Falta pouco pros 30, mas o sentimento que fica do dia 6 de julho de 2014 é que as pessoas que me acompanharam até aqui – de perto ou de longe – fazem essa busca ser muito mais feliz que riscar um item da lista. Elas enchem meus dias de amor, amizade, companheirismo e força pra conquistar um mundo inteiro de listas.

Entre-sardas

Era 7h30 da manhã e o rádio do carro tocava The Bitter Sweet Symphony. A luz do sol batia do lado esquerdo e deixava os olhos transparentes.

Parei no sinal e examinei o rosto sem maquiagem pelo retrovisor. Não era exatamente o que eu esperava ver na véspera de completar 29 anos, mas entre-sardas e cílios estava o meu mundo exposto e nítido: Allyne Durando, a publicitária, esposa e canceriana que escolheu uma vida com história pra contar.

Nem sempre a história é boa ou feliz ou bonita, visto que cada escolha que eu faço tem igual chance de funcionar ou não, mas sempre vale a pena. Basta reler esse blog ou meus rabiscos de cabeceira pra ver quantas angústias foram necessárias e quantos medos foram renovadores. 

Enfim, passei o dia pensando nas ironias da vida e vou dormir lembrando das 7h30 da manhã, quando eu voltava do yoga – apenas um item da enorme lista de escolhas que eu fiz com os ouvidos bem fechados e o coração aberto.