Sobre músicas que têm cheiro e gosto

Esses dias reencontrei uma música. Não é daquelas que me acompanharam a vida inteira, como Ironic, Don’t look back in anger, Everlong ou Fix you. Mas aquele tipo de música especialmente escolhida pra marcar um grande dia na sua vida.

Funcionou.

A música de que estou falando tem cheiro de saudade e gosto de gratidão. Porque junto com ela, minha memória guarda um filme em que cerca de 50 pessoas, em fila, se apresentaram diante de um casal jovem e emocionado, pra contar uma história sem dizer nada: com plaquinhas de papel nas mãos e sorrisos nos rostos.

O dia era 27 de julho de 2013. A hora era 19h30. A história era a minha. As pessoas eram familiares e amigos. A ocasião era o meu Chá Bar. E a música, essa aqui.

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#souamigadaPaty

Eu não conheci pessoalmente, mas sei muito bem quem foi Patrícia Oshiro Brentan. E agradeço a Deus pelo dia em que a história dela se cruzou com a minha.

Com 24 anos, Patrícia descobriu uma leucemia e começou uma campanha na internet em busca da medula perfeita – aquela que traria seus cabelos e sua vida de volta. A história chegou à minha casa pela Laís, irmã caçula que conheceu a Paty antes de tudo isso acontecer e que, com seu coração enorme, mobilizou as pessoas à sua volta para abraçarem a causa.

Não faz muito tempo, eu saía do Hemocentro de Goiânia com a certeza de que poderia ser a feliz doadora. Depois soube que a medula perfeita tinha sido encontrada, mas o doador não compareceu e não houve tempo para que outra medula compatível aparecesse.

Captura de tela 2014-02-16 às 13.13.15Hoje, dia em que a jovem Patrícia deixou este mundo, só posso dizer, com o choro entalado, que ainda #souamigadaPaty e que continuo na fila pra ajudar alguém com leucemia a ter um final feliz. 

Fica o exemplo, a beleza e a força de um movimento que alcançou o país inteiro. Descanse em paz, menina.

Sem palavras [2]

“Durando, você já pode riscar o item 12 da sua lista. Já aprendeu a fazer lasanha! Adoro o seu Blog.”
Amiga e leitora, via Facebook.

“Amei seu blog. Em 2014, vou fazer 27 anos e tô pensando em fazer uma lista dessas.”
Leitora do blog, por e-mail.

“Não me canso de acompanhar seus posts e estou preocupadíssima: e quando chegar os 30? Espero que já esteja pensando no depoisdostrintablog…”
Amiga e leitora, via Facebook.

Eu não sabia que seria assim, mas sempre soube o valor de compartilhar as coisas da vida com pessoas que sentem o mesmo que a gente, sejam elas próximas, conhecidas ou não.

E o que eu posso dizer é que esse blog tinha data pra acabar. Tinha.

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Sentada no sofá da recepção, eu observava o painel de post-it, as pessoas, o telefone tocando e a marca da empresa em acrílico na parede. Era o meu ano novo, no sentido mais completo da palavra, que acabava de começar.

Entrei para a sala de criação e encontrei um bocado de gente jovem e sorridente, com suas mesas bagunçadas e cheias de cores. E tive aquela deliciosa sensação de estar no lugar certo, na hora certa. Foi quando eu ganhei uma mesa com vista pra rua, um caderno, um lápis e um monte de jobs. E também ganhei a chance de conhecer muitos mundos escondidos em cada uma das pessoas que dividem seus dias comigo, na charmosa sede da Crispim+Veiga.

Alguns dias se passaram e eu não me sentei no sofá de novo. Não fosse o corpo cansado, eu desejaria pular o fim de semana pra estar na minha mesa todos os dias, fazendo o que eu escolhi fazer por uma vida inteira.