Amigos na Fé

Numa ação de caridade no último sábado, conheci uma menina, com pouco mais de 1 ano de idade, que não sorria.

Minhas irmãs tentaram de tudo: piada, cócegas, brincadeiras, e nada. Talvez não soubesse ou talvez não quisesse. Mas era difícil de ver.

Pensei em tantas coisas que ela poderia ter vivido, mesmo sendo tão pequena. Imaginei como seria a sua rotina, sua casa, suas coisas. E lembrei de outras tantas histórias que acontecem cada vez que os Amigos na Fé entram em ação pra levar um pouco de alegria para pessoas desconhecidas. Na Páscoa, conheci duas garotinhas que foram abandonadas na creche. E num outro Gesto, soube de um senhor idoso que nunca tinha tomado um sorvete antes.

fotoEm 8 anos, o Amigos da Fé fez várias ações em Goiânia e região metropolitana. E foi um verdadeiro presente poder me unir a pessoas que, mesmo com a correria do dia a dia, arrumam disposição e tempo pra servir o próximo. Simples assim: servir.

E apesar das histórias tristes que conhecemos, é a possibilidade de arrancar um sorriso que nos move.

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Entre louças e panelas

Era o segundo dia na minha casa depois da viagem de lua de mel. E era a primeira vez que eu me despedia do meu marido, às 5h da manhã.

Nos demais dias da semana eu só queria saber de casa. Minhas coisas, minhas louças, meus presentes, caixas, livros, panos, copos, eletrodomésticos e formas de bolo. Tudo precisava de um lugar e eu elegi aquela semana pra começar.

Apanhei da máquina de lavar, quebrei uma taça de cristal, esqueci a janela aberta e comprei um varal que não cabe na minha área de serviço. Naquela e nas demais semanas eu continuei tentando dar “ordem” pras coisas e pros meus sentimentos, mesmo sabendo que eles tomariam seus próprios lugares com o tempo (e que bastava, a mim, esperar).

O fato é que a solidão daquela semana me fez enxergar as minhas novas “obrigações” e a necessidade de construir uma nova rotina que em nada se parece com “brincar de casinha”. Tive vontade de saber cozinhar, de saber por onde começar e de saber, saber e saber o que uma recém-casada jamais saberia. O nome disso? Ansiedade. E sim, ela está de volta, com força total.

A solidão da primeira semana, e da terceira, e de todas as outras que ainda virão, será minha companheira para aprender a aceitar meus limites e ser mais generosa com as minhas expectativas. “A perfeição é chata”, ele disse. E eu me apego nisso sempre que toda essa miscelância acontece.

Enfim, entre louças e panelas tem um mundo de coisas que eu não entendo e simplesmente não sei como lidar (ainda). E tem um pouco de saudade e angústia a cada 15 dias, quando ele não está e eu sou obrigada a preencher a casa com mais de mim mesma.

Sobre riscar o item 10

5min5 minutos antes da cerimônia, eu estava sozinha. No quarto de hotel onde tinha passado toda a tarde com minha mãe, irmãs, maquiadora e equipe de foto/filmagem, só restava o silêncio, minhas preces e a respiração ofegante. Pelo vidro, eu vi o movimento da rua se misturar com o meu reflexo: de branco, com o buquê de pérolas em uma das mãos e o celular na outra. E depois de um dia inteiro de absoluta (e inacreditável) calma, eu sentia as pernas começarem a tremer. Fechei os olhos e rezei em voz alta, agradecendo a Deus por tantas bênçãos recebidas até ali. E no instante seguinte abri o bloco de notas do celular pra reler os votos que eu escrevi pra ele.

Tantas vezes eu reli essas linhas querendo mudar um detalhe, e nunca consegui. Isso porque os votos foram escritos no calor do momento, na volta da viagem em que ele me pediu em casamento. E definitivamente não tinha uma vírgula que precisasse ser mudada.

Então, eu reli aquele texto e ouvi minha voz ecoar no quarto vazio. No instante seguinte, a mesma voz ecoava no microfone, diante dele no altar.

[Eu]
“Tem um filme publicitário que diz assim: no dia em que você viver só de lembranças, de que lembranças você vai querer viver? Posso dizer que eu estou aqui, hoje, vivendo de muitas lembranças – da minha infância, da minha família e das lembranças que construímos juntos nesses 3 anos. E o que eu te proponho, meu Chero, é que a gente viva uma vida inteira pra ter do que se lembrar. Porque vai chegar um dia em que você e eu, velhinhos, viveremos só de lembranças. E são elas que vão nos manter vivos.
Eu te amo imensamente muito.”

[Ele]
“Chelita, um amor que nasceu há milhares de quilômetros, se torna cada dia mais forte. Com você, aprendi que o melhor caminho é o do afeto e da humildade. E contigo quero traçar o mesmo caminho de amor das nossas famílias. Hoje te convido para construir juntos uma família linda, como nossos pais construíram.
Te amo, muito mais do que ontem. E amanha, vou te amar ainda mais. Sempre.”

Hoje, dia em que comemoramos 1 mês de casamento, ainda ouvimos com nitidez os votos que fizemos. E antes de terminar esse post, risquei o item 10 da lista dos 30 com um enorme sorriso no rosto.

All I’ve got is you

[trilha sonora para este post:
http://www.youtube.com/watch?v=ynWVM7UU7Ek]

O olhar estava perdido vendo a rua passar do banco de trás.

Eu respirava fundo e sentia cheiros de outras épocas. A escola do ensino fundamental, o mar, a beca da formatura, o perfume da minha mãe, o peixe preparado pelo meu pai. E ao mesmo tempo pensava no quanto eu tinha esperado por esse dia. E no quanto eu ensaiei com as minhas barbies e depois sozinha no espelho o que eu diria, ou como eu me como eu me comportaria. Vã ansiedade! Quando você está a caminho do seu casamento civil, nada acontece como nos sonhos. Algumas coisas são mais simples e diretas, outras mais emocionantes e simbólicas.

E enquanto meu pai dirigia, eu vi seus olhos pelo retrovisor, engoli sem fazer barulho, olhei pra minha mãe no banco da frente e ouvi a Laís digitar alguma coisa no celular. Voltei os olhos pra janela pra piscar lentamente e gravar esse momento na minha memória.

“Pode beijar a noiva. Vocês estão casadíssimos”.

Foi rápido como esse post. Especial, único e rápido. Beijei o Igor de um jeito diferente e não contive lágrimas numa sala de cartório, fria e mal decorada. Era só um casamento civil, é verdade. E não tinha todos os detalhes e preparativos da cerimonia religiosa, mas era meu. Era eu dizendo “sim” e vendo a mão dele assinar um papel que dizia pro mundo que ele era meu marido.

Saí roçando o anel na mão esquerda e olhando pros olhos dele enquanto gritava mentalmente: casei! A 3 dias da cerimônia “oficial”, eu sentia que a ficha começava a cair. Tinha chegado o momento. E eu estava transbordando.

Na verdade, ainda estou.
Faz 1 mês desde o casamento civil e eu vivo meus dias esperando a hora em que eu vou abrir a porta e o meu sorriso vai se encontrar com os olhos de mármore dele.
Because all I have/And now all I’ve got/Is you.