Antes de dormir

O relógio marcava 23:23.

Puxei a coberta, a luz se apagou e eu me abracei nele pra dormir. O som do quarto tocava Norah Jones.

Fechei os olhos e lembrei da minha família com saudade, admitindo pra mim mesma que no meio de tantas coisas novas e empolgantes eu estava, sim, sentindo a falta deles – suas vozes, histórias e companhia.

No instante seguinte ouvi o vento anunciar a chuva e senti um abraço mais apertado. Foi quando eu reabri os olhos e entendi que aquela saudade chegaria, mas que não haveria nenhum outro lugar onde eu escolheria estar senão ali, na minha casa, dividindo a cama com o cara que agora também é minha família.

And I want to wake up with the rain
Falling on a tin roof
While I’m safe there in your arms
So all I ask is for you
To come away with me in the night
Come away with me

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A história do LED

fotoTudo o que eu sabia sobre a minha cerimônia é que o fundo do altar seria um painel de LED.

A ideia veio numa tarde de sábado: ele e eu tomando café em uma mostra de interiores. “Imagina fazer um casamento num terraço com um painel de LED no fundo?” “Massa! E se o painel exibisse as fotos das igrejas que nós visitamos?”

Pronto. Estava criada a primeira ideia do casamento, que só seria realidade algum tempo depois.

Resultado: o terraço não saiu, mas o LED sim. O painel de 6mx3m exibiu 7 fotos de altares que conhecemos ao redor do mundo durante a cerimônia e um vídeo na hora do beijo. E tudo o que eu sei vendo algumas fotos é que, sim, valeu muito a pena ter suado pra tirar essa ideia do papel.

Pois bem, aí estão as fotos.

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E aí está o vídeo.

Filmagem: Allyne e Igor
Edição e finalização: Bendito Seja Filmes

Dias intensos

Muita coisa aconteceu desde a quarta-feira que antecedeu meu casamento.

Vivo dias densos, cheios de acontecimentos e detalhes e significados que mal consigo organizar em palavras – todas parecem pequenas e pobres. Rascunhei uma dezena de posts em bloquinhos, agendas e notas de celular, mas abandonei-os. Todos os momentos que marcaram (e ainda marcam)  a minha (nova) vida serão registrados aqui em pedaços não-lineares, no ritmo que o coração deixar.

Coração esse que, por sinal, nunca esteve tão feliz.

Diário da noiva: terça-feira incomum

Meu dia foi se tornando inesquecível em pílulas – pequenas doses de amor e carinho chegando de todos os cantos por meio de bilhetes e cartinhas escritas à mão, em folhas de pauta, com dobradura ou papel colorido.

A primeira estava no espelho do banheiro – da mamãe. Foi quando eu chorei pela primeira vez. A segunda eu vi na maçaneta da porta do meu quarto, enquanto em cima da cama tinha uma cesta cheia de coisas gostosas. A carta dobrada em forma de coração era da Ju, a “rimã” do meio, e eu me desmanchei em lágrimas de novo.  Entrei no carro e achei um bilhete amarelinho, pregado no painel. Era da Laís, a “rimã” caçula, e era a terceira vez que eu enxugava o rosto e sorria um sorriso cheio de dentes.  Saindo de casa, parei numa farmácia pra tentar uma nova estratégia contra a sinusite que ainda não me largou. Abri a carteira e lá estava uma cartinha da Honey. Andando e lendo até o carro, me vi limpando lágrimas again!

Aí veio a hora do almoço: mamãe, Laís e eu no restaurante do papai. O telefone não parava de tocar e foi quando o garçom serviu um prato com um bilhete dentro. Era a vez do meu pai. E eu não resisti. A tarde passou tranquila e eu sabia que às 17h sairia pra fazer “uma coisa”, que foi revelada na porta de um spa: eu acabava de ganhar uma massagem relaxante. Sala sem luz, velas acesas e música calma [eu desejo esse presente a todas as noivas do universo]. Foi quando a sexta cartinha chegou, da Camilla. E foi quando eu chorei pela sexta vez.

Voltei pra casa com a certeza de ter tido a terça-feira mais deliciosamente incomum dos últimos anos.

Cheguei no meu apê pra jantar com o noivo e fui surpreendida por 6 mulheres lindas gritando a marcha nupcial (rs) e um Chá de Lingerie feito pra mim. Tem como não amar isso?

No mural da sala, um recado dele. Num envelope rosa, a penúltima carta, da Ju, a lindeza que eu reencontrei depois de muitos anos. Chorei e chorei de alegria, emoção, gratidão, tudo misturado. Foi quando o celular apitou com uma mensagem da Cy: “No armário”. Era dela o último bilhete do dia, e também o último choro.

O Chá foi o que não poderia deixar de ser: divertido, lindo, memorável. Era tanto sorriso, tanto abraço, tanta felicidade compartilhada que eu nem sabia muito o que dizer. Mas registrei aqui dentro o olhar de cada uma e os detalhes que elas prepararam no meio de tanta correria. Depois chegaram eles, noivo e maridos, e a festa ficou completa. Era a minha família ali: pai, mãe, irmãs e amigos do peito. Aqueles por quem eu continuo derramando lágrimas com sorriso no rosto. Como agora.

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Diário da noiva: correria com sorriso

Reuniões, definições e últimos detalhes: assim começou minha semana pré-casamento.

A parte chata é que  eu continuo correndo pra lá e pra cá freneticamente. A parte boa é que a correria não tem estresse – é só escolher como tem que ser e dar meus últimos pitacos. Cabe tempo para um café, uma piada, um desabafo e um mimo: coisas que o tempo não permitia nas correrias de antes.