Sobre o último mês

Turbulências aparecem.
Elas chacoalham você, testam sua fé e sua imaginação. Mexem com seu humor, sua fome e fazem você querer dormir profundamente pra acordar quando estiver terminado. Mas aí vem um novo agravante: não conte com a ajuda do relógio. Quando uma turbulência aparecer no meio da viagem, ela vai parecer uma viagem inteira, de tão longa e incômoda. E apenas se você tiver alguma calma, vai conseguir se desligar daquilo e pensar nas coisas boas que terá na chegada (o que nunca foi o meu caso).

Turbulências acabam.
E trazem alívio e cansaço, quase na mesma medida. E também a certeza de que outras turbulências virão, e que você, apesar de tudo,
vai preferir passar por elas de novo a ter uma vida com os pés no chão.
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120 dias para o item 10

Passou muito, muito rápido.

Ainda posso sentir o cheiro do mar na pequena caverna de Santorini. Eu estava dormindo, depois de um almoço com vinho, quando ele chamou pra ver o pôr-do-sol.

Eu levantei rapidamente e saí na varanda com vista pro mar. Ele segurou minhas mãos e disse: “Senta aqui. Eu tenho uma coisa pra te falar”.

Ouvi as palavras mágicas olhando bem fundo nos seus olhos de mármore. Senti o coração desesperar e meus olhos se encherem de água, embaçando tudo. “É isso mesmo? Está acontecendo comigo?” eu pensava enquanto o sol pintava uma cena perfeita.

Foi quando ele abriu uma concha e tirou de dentro as nossas alianças. Eu chorava horrores e ele só sorria. Posicionamos os dedos anelares, trocamos anéis e partimos prum beijo longo, com abraço, cheiro de mar, lágrima e alegria infinita.

E só ontem, no meio do expediente, quando eu recebi um recado dele no e-mail, me dei conta de que já se passaram 6 meses. E agora tenho a impressão de que vou fechar os olhos e acordar vestida de noiva.

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“Casa comigo?”

“O quê?”

“Casa comigo, Chero?”

“É claro que eu caso.”