O mundo não acabou

Era sexta-feira e, enquanto as pessoas estavam (ou fingiam que estavam) ansiosas com o fim do mundo, eu só queria o fim do dia. Nem sabia pra quê, nem sabia o que fazer, mas queria.

E foi quando, no Skype,  linhas doces vindas da França  me mostraram o que faltava enxergar: eu queria mesmo era ficar sozinha.

Comi comida de panela, ouvi música, botei os pés pra cima, soltei a cabeça no travesseiro. Poucos minutos de solidão e as  cartas embaralhadas na minha cabeça se organizaram quase milagrosamente. Ainda tentei simular uma ou duas jogadas, teimosa que sou, mas desisti. Nunca fui profissional nessa brincadeira de sentimentos e compromissos e  pouco tempo.

Enfim, o mundo não acabou. Nem minhas angústias, nem a correria. Mas entrei de recesso para esperar que o ano acabe.

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Aí vem a noiva

Aí vêm as dúvidas, ideias, medos, preços, reuniões, telefonemas, catálogos, revistas, indicações e os amigos. Esses últimos, fun-da-men-tais pra não perder os cabelos diante dos zilhões de coisas a serem escolhidas e resolvidas para que o tal dia seja daquele jeitinho.

Ontem, a temporada de correria foi oficialmente aberta, sem nada resolvido, rs. Está aberta porque agora, sim, tenho noção do quão difíceis e memoráveis serão os próximos 10 meses.

A primeira lição que fica, eu compartilho: “Don’t worry about a thing, cause every little thing is gonna be all right”.
Valeu Bob Marley, valeu Sávio&Camilla.

Do amor e seus momentos

Primeiro, foi o Rio de Janeiro, no revéillon de 2010. Ninguém sabia quem ele era e eu só consegui fazer as malas e me render ao seu pedido. “Viaja comigo?” Não me arrependi.

Depois foi Paris, em fevereiro do mesmo ano. Ninguém entendia como eu poderia cruzar o oceano com um cara que eu mal conhecida. E foi ali, diante da torre Eiffel, que ele fez o pedido. “Namora comigo?” Não hesitei.

O tempo foi mostrando que aquela não era uma história qualquer. Tinha cores, flores brancas, beijos roubados, viagens malucas, noites em claro, estrada, barco, teleférico, jet sky, vento no rosto e um sentimento sem proporções, sem precedentes, sem limite. Foram 10 países juntos, milhares de fotos, dezenas de vídeos e incontáveis bilhetes, recados, e-mails, músicas e declarações ao pé do ouvido.

Aí veio Santorini, em outubro de 2012. Ninguém duvidava de que ele era mesmo o cara da minha vida. E era  pôr-do-sol quando ele fez o pedido. “Casa comigo?”

Eu disse “sim”. E eu sempre vou dizer “sim” pra todo o amor que ele me traz.

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Sobre o item 09

Quando ela chega e se instala, não há espaço pra mais nada. É tudo pra ontem, o sono não vem, as soluções se complicam, a cabeça dói, as pessoas se irritam e eu tomo mais um comprimido. Fato: a minha ansiedade é um problema a ser levado a sério. Antes dos 30, antes do fim de semana.

PS: Depois de postar Cartas para Guidô, fui aos Correios e não resisti ao Sedex – é rápido, como tudo deveria ser nesta semana.

Cartas para Guidô

Se um dia tiver sorte, abrirá a sua caixa de correio e encontrará, no meio de contas, folhetos de supermercados e anúncios de cartão de crédito, uma carta escrita por alguém que você ama.
[É nessas horas que eu descubro resquícios de uma geração que nasceu sem internet, porque poucas coisas na vida são tão singelas e envolventes quanto abrir uma carta escrita à mão, com seus selos e dobraduras.]

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Margarida, ou simplesmente Guidô, foi a pessoa que me trouxe essa sorte. A tia avó vive no interior de Goiás e, com sua bela letra e português impecável, cuidou de criar em mim o gosto pelo ritual completo: papel e caneta, envelope, remetente, destinatário, correios, carimbo, selo e espera. Confesso que, na minha ansiedade, quase sempre quero pagar por um sedex, mas seguro as pontas e lembro de que a espera da carta é o a faz valer a pena.

Há meses eu não escrevia pra ela e hoje acordei com esse propósito. A cada correspondência, as últimas notícias são contadas com uma mistura de sentimentos que, para muitos, pode parecer exagero ou falsidade. Não pra ela. Não pra mim.

A lista dos 30

01. Ter um blog

02. Fazer um corte de cabelo que nunca fiz

03. Ter um cachorro

04. Fazer uma festa sem motivo

05. Ter o meu próprio negócio

06. Fazer uma tattoo com minhas irmãs

07. Conseguir poupar dinheiro todo mês

08. Ir a, pelo menos, um grande show por ano

09. Aprender a lidar com a ansiedade (sem remédios)

10. Casar com O Cara da minha vida

11. Ter uma bela coleção de lingeries

12. Aprender a cozinhar

13. Ter um apê charmoso

14. Não abandonar o trabalho voluntário

15. Tirar férias, nunca vendê-las

16. Aprender a usar batom vermelho (e me acostumar com ele)

17. Manter grandes amigos por perto

18. Ler 1 livro por mês

19. Investir em uma pequena coleção de LPs

20. Não comer frituras

21. Montar, manualmente, um scrapbook (pelo menos 1!)

22. Fazer uma grande viagem a cada ano

23. Ser organizada

24. Ter uma barriga travada

25. Voltar a escrever cartas

26. Ser o mais ecologicamente correta possível

27. Abandonar o refrigerante

28. Estar mais presente para a minha família

29. Sair mais vezes pra dançar

30. Aprender a descomplicar

Tomo a liberdade de recomendar que o leitor faça a sua própria lista. Ao fazer isso,  muitos dos seus sonhos antigos virão à tona e outros, que acreditava serem importantes, não estarão entre os 30 (ou 40, 50, 20, por quê não?). No fim, se estiver mesmo determinado a encarar isso como missão (assim como eu), encontrará um grande prazer em eliminar um item. Pois bem: já tenho um blog.