O último

Liguei o rádio e tocava Paradise.

Aumentei o volume e reparei no céu acinzentado de uma segunda-feira tão esperada, pensando “podia tanto estar azul”, rs.

Há meses eu penso nas palavras e histórias para este último post – em vão: tudo que eu disser aqui vai ser pequeno e raso diante dos 114 posts anteriores.

Durante todo esse tempo, meu diário virtual foi um caloroso refúgio, um fiel espaço para os desabafos, uma perfeita caixinha de música para as trilhas sonoras do meu caminho e um delicioso mensageiro em dias felizes. Eu não esperava tanto. Por isso é tão difícil dizer goodbye.

A melhor parte do Antes dos 30 foi também a mais inesperada: o carinho dos leitores. Tanta coisa linda eu li por aqui, tantas palavras doces eu ouvi por aí. Gente dizendo que gostava de ler, que se emocionava com os posts, gente pedindo pra não acabar. Dividir os meus mais sensíveis momentos com gente de verdade, que sofre, que ri, que aprende, que agradece, é maravilhoso. Eu nunca vou me esquecer disso. Obrigada. Obrigada mesmo.

Então termino esse último post com olhos cheios de lágrimas e o coração apertado, imaginando se viverei essa sensação de novo, algum dia, no meu segundo paraíso on-line.

And dreamed of para-para-paradise
Para-para-paradise
Para-para-paradise
Every time she closed her eyes

Até breve.

Com amor,
Allyne Durando.

A lista do dia dos 30

Não poupei dinheiro todo mês, mas o suficiente pra viajar muito e organizar uma festa de 30 anos. (item 7)

Não fui a um grande show este ano, mas assisti, no sofá de casa, aos shows do John Mayer com a Amelie no colo, do Oswaldo Montenegro com meus pais e do AC/DC ao lado do Igor. (item 8)

Voltei a tomar remédios pra ansiedade e não tenho qualquer previsão de conseguir mudar isso. A ansiedade continua sendo minha grande inimiga.

Cozinho pouco, e às vezes mal. As poucas receitas que aprendi não me encorajam a riscar o item 12.

Ainda não me sinto confortável usando batom vermelho e não pretendo insistir nisso depois dos 30. Estou segura sobre quem eu sou e sobre o que cabe em mim. Sou feliz com delineador e máscara pra cílios, calça jeans e blusa. Perdi o medo de sair com meus looks monocromáticos em branco, preto, marinho e bege. (item 16)

Não li um livro por mês, não montei 1 único scrapbook (será que ainda dá tempo?). Comi frituras e tomei refrigerante. Não fui o mais ecologicamente correta possível.

Não sou organizada como gostaria, mas dou o máximo de mim pra ter uma casa confortável, limpa e aconchegante. (item 23)

Definitivamente não tenho uma barriga travada e não consegui retomar o crossfit depois do tornozelo torcido, mas voltei de vez para o EVA azul – a sala de yoga que me acolheu e me deu minutos preciosos de silêncio e respiração profunda.

Escrevi poucas cartas nos últimos anos. Felizmente, não perdi a chance de escrever bilhetes, cartões de aniversário e dedicatórias de livros. (item 25)

Não, não aprendi a descomplicar. E será que algum dia eu vou conseguir?

Saí pouco pra dançar, mas vi o apê do 21º andar se tornar palco de dancinhas melosas sempre que toca uma música especial. (item 29)

Mesmo aos trancos e barrancos, não abandonei o trabalho voluntário (item 14), não vendi férias (item 15) e aproveitei todas elas pra viajar (item 22).

Por sorte, bênção divina ou pelos motivos do post anterior, também risco o item 17 e comemoro meus 30 com grandes amigos por perto.

Nas últimas semanas, entrei no carro e coloquei pra tocar a mesma música. Ainda me lembro do show: eu estava frustrada por não tê-la ouvido ali, ao vivo, quando a Alanis voltou pela segunda vez e cantou. Tinha certeza que era pra mim. Ergui os braços e gritei a letra, no mais autêntico estilo de fã adolescente.

Thank you providence
Thank you disillusionment
Thank you nothingness
Thank you clarity
Thank you thank you silence

Eu sempre penso no item 28 quando ouço essa música. E sempre lembro que eu não estive presente para a minha família nos últimos 944 dias, apesar de ter a maior gratidão do mundo por tudo que ela faz por mim. Não riscar esse item é doído, triste e frustrante. É daquelas coisas que eu preciso levar como um alvo constante, um motivo pra toda a vida. Depois dos 30, antes de qualquer outra coisa.

E acho que é assim que se chega aos 30: sentindo a completa responsabilidade por tudo que sou e não sou, sorrindo um sorriso cheio de histórias e olhando com mais carinho pras pessoas em volta e pra mim mesma. Agradeço a Deus por viver isso. Abrir os olhos esta manhã, respirar fundo e continuar de pé, pra seguir o meu caminho.

Ainda não é hora de despedidas. Esse é apenas o penúltimo post.

Sobre novos termos

Por tantas vezes me faltou palavras pra descrever a razão de estar cercada de grandes amigos, quando inúmeras vezes eu disse a eles “não posso” ou “não tenho tempo”. Justo eu, que sempre achei ter dificuldade em dizer “não”, só agora vejo que para cada “sim” que eu disse nos últimos anos, trouxe um “não” como consequência.

“Vamos sim, fulano!” | “Desculpa, mãe, tenho outra coisa neste sábado”.

A verdade é que sempre faltou tempo principalmente para as pessoas que eu mais amo. Não que eu confie demais do amor e compreensão delas, mas talvez por sempre acreditar que elas mereçam muito mais do que eu posso. Por milagre, sorte, ou por entenderem a minha “frequência afetiva”, elas continuam me amando e me aceitando diante do que eu tenho pra oferecer e, principalmente, diante do que eu não tenho.

O termo “frequência afetiva” veio ontem por inbox – um texto que trouxe um apanhado de momentos se juntando na minha mente como um quebra-cabeça. Não por acaso, o tal texto veio de uma amiga de mais de 10 anos, para quem a minha dedicação nunca foi ou será suficiente, mas com quem eu me lembro de não ter desperdiçado um único encontro sem uma gargalhada alta (mérito dela), nem mesmo nos dias de conversas tristes ou difíceis.

Assim como eu tenho a certeza de não ter dedicado a “frequência afetiva” que eu gostaria pra tanta gente, também tenho comigo que eu não economizei bilhetes, beijos, abraços e palavras de carinho nas poucas oportunidades – foi o jeito que eu encontrei de deixar encontros rápidos, mensagens curtas e telefonemas corridos menos distantes.

À minha família e amigos, eu sempre dedicarei os meus melhores verbos.

[O tal texto aqui]

12 dias

“Viver uma vida inteira pra ter do que se lembrar”.

Com voz e mãos trêmulas, eu propus isso a ele no altar, e a mim mesma, todos os dias.

Não por acaso, vez ou outra eu visito este blog e clico aleatoriamente em posts antigos pra reviver momentos. Tanta coisa que eu quase esqueci, tanto detalhe que eu quase perdi. Quase.

Antes dos 30, descobri que escrever é o meu melhor jeito de guardar lembranças. Sinto cheiros e gostos de outros anos, vejo gestos e rostos, visito histórias, angústias, tropeços e conquistas. Ler de novo, chorar de novo, viver de novo – antes de morrer, acho que nunca vou me cansar disso.

Faltam 12 dias para o fim desse blog e eu já tenho saudade dessa lista, dessa história e de todas as vezes que eu risquei um item.

No headphone.

Sobre dois olhos

Abri os olhos e vi.

Primeiro, os olhinhos sapecas da Amelie me “pedindo” pra subir na cama. Depois vi a luz do sol iluminando a minha sala. No caminho pro trabalho, vi um rapaz correndo feliz com seus 3 cachorros numa praça qualquer. Vi um motociclista ajudando uma senhora, que estava com o porta-malas de seu carro aberto. Vi meu reflexo no retrovisor.

Não faz tanto tempo eu saía da sala de cinema em silêncio, depois de assistir ao filme adaptado do livro. Mas foi depois de ler as 307 páginas de Ensaio sobre a cegueira que eu digeri, a duras pancadas, a mensagem do autor sobre “a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”.

Daqueles livros que separam a vida da gente em “antes” e “depois”. E fica aqui um relato de dois olhos que, se já eram atentos, agora são, também, diariamente gratos.

Das últimas 2 semanas

Ela segurou minha mão em silêncio e eu me deixei desabar.

Os 4 anos a menos nunca fizeram dela uma mulher menos forte ou menos sensata, e era a mão dela que segurava a minha naquele dia de desespero. Dou esse nome por não saber o que acontecia – se era angústia, medo, cansaço, sobrecarga, solidão, enfim: desespero. E depois daquela noite eu mergulhei em um silêncio que há tempos não experimentava. Ouvir mais, reclamar menos, observar mais, decidir menos.

“Acalma seu coração. Isso é um trabalho diário. Você é amada demais.” 

No caminho pra casa, recebi essa frase no whatsApp. Há pessoas que aparecem como anjos em dias assim.

“Viaja comigo?”

Eu falava de anjos quando essa pergunta me apareceu e soou mais como um “Deixa eu te tirar daqui?”. Eu aceitei. As viagens com ele sempre me deixaram bem e Cartagena era um roteiro que estava na nossa lista há tempos.

Tempo pra falar de mim, dele, de nós. Tempo pra ficar à toa, pra andar sem destino, pra embriagar, pra mergulhar, pra comer e não gostar, pra descobrir uma limonada nova. Tempo pra desacelerar e aquietar a mente que não sabe mais fazer isso sozinha.

Eu tive tempo. Hoje, especialmente, tive tempo até pra ansiedade de não fazer nada. Eu já não sabia mais o que era “fazer nada”, e nem sei se gosto, rs.

A 30 dias dos 30, eu me lembrei das últimas 2 semanas com alívio. Foram duras, intensas e chorosas, mas chegaram ao fim com o primeiro pôr-do-sol de Cartagena. Um momento, aliás, que ainda vai ser muito lembrado, mas isso é história para um novo post, ou um novo blog, quem sabe.

Para Raquel e Camilla

Era uma noite de UFC e aqui estávamos nós, mais uma vez: maridos diante da TV e mulheres à mesa, colocando a conversa em dia.

Se eu dissesse que me aproximei delas por acaso, numa viagem de última hora, poucos acreditariam. Porque desde então elas fazem parte da minha vida como duas grandes e insubstituíveis amigas. Consultoras de assuntos aleatórios, confidentes para momentos felizes e tristes, companheiras em dias de festa e de cansaço.

Mas neste dia, enquanto elas conversavam sobre suas histórias da gravidez, eu me deixei reparar nos cabelos, nos jeitos e olhares, e vi que elas estavam completamente mergulhadas na missão de ser mãe. Vez ou outra, eu tentava mergulhar no universo delas contando uma história que eu soube ou tentando sentir o pequeno Murilo se mexer dentro da barriga, mas a verdade é que eu me senti um pouco órfã, e ao mesmo muito feliz.

Ver duas meninas que eu amo se transformando em mães é o meu pequeno privilégio dos últimos e dos próximos meses. E espero que elas entendam quando eu, sem saber exatamente o que elas sentem, cair em lágrimas simplesmente por ver um gesto ou ouvir um depoimento sincero de suas jornadas.

Para Honey e Flor, minhas amigas e comadres, eu registro aqui o meu amor de irmã e de tia.

Pensamentos soltos

Da garupa da moto, eu via poesia na rua.

Uma senhora passeando com flores nas mãos. Um homem de bermuda lendo livro no ponto de ônibus. Passarinhos voando em círculos em volta de um prédio. Pessoas distraídas, andando no sol. Uma senhora de sobretudo e sapatos vermelhos saindo do Mercadão. Nomes engraçados nas fachadas antigas.

Sobre duas rodas, os olhos veem mais e os ouvidos ouvem toda a confusão de pensamentos da minha cabeça. Ali, no som abafado do capacete, eu via tudo isso enquanto pensava no fim (próximo) desse blog.

DecoraBox

“Uma brincadeira que virou sonho que virou ideia e virou negócio. A DecoraBox é uma caixinha de sentimentos transformada em Coleções artesanais de decoração para datas e momentos especiais.
Ao meu marido, à minha família e aos amigos que sempre me apoiaram pra começar algo novo, taí: eu dedico esse começo a vocês.”

Assim começou a DecoraBox: com gratidão, emoção, post no Facebook e coração a mil. Há pouco mais de um mês, o item 5 deixou de ser sonho pra ocupar a minha mente (e a minha casa) com caixas de papelão quadradinhas, cheias de detalhes que saem das minhas mãos pra voar em direção às mesas de outras casas.

unnamedItens decorativos cuidadosamente feitos com tecidos, palitos, laços, papéis e fitas, que depois se organizam em saquinhos rústicos enumerados, ganham um manual e dividem espaço na caixa de papelão com um bocado de carinho e expectativa.

Fita de empacotamento, carimbo, assinatura à mão e pronto. A cada entrega, eu deixo uma Box e levo comigo a recordação de um sorriso, uma conversa no sofá ou de um convite para um café.

O Dia das Mães está chegando e eu mal posso esperar pra saber como a primeira Coleção, intitulada “Da arte de ser Mãe”, vai sair da caixa pra viver um momento especial com as famílias que decidiram comprar essa ideia comigo.

Hoje, 6 de maio de 2015, eu risco o item 5 da lista (ainda nem acredito nisso!) – dia em que todas as caixas da primeira Coleção acabaram; dia em que eu fechei a terceira minifesta para o mês de junho; dia em que a segunda Coleção já vai começar.

No Facebook: fb.com/decorabox
No Instagram: @decorabox
Encomendas para: minhadecorabox@gmail.com

S2

Este post acaba de tomar um novo rumo.

Eu planejava falar da DecoraBox e agradecer a todas as clientes que compraram essa ideia comigo, mas o meu coração, hoje, está feliz por outro motivo.

“Quer uma notícia? Eu não preciso mais dormir em Brasília”.

Desde que ele voltou pra Goiânia, a estrada virou rotina. GYN-BSB, 4 dias por semana. E apesar de tanta gente enxergar a “parte boa” disso, eu sempre senti na ausência um caminho sem volta – uma festa que passou, um momento que aconteceu, um beijo que não rolou, um abraço que não me acolheu. Um sentimento egoísta, reconheço, diante esforço de alguém que se dispôs a passar tanto tempo longe de casa só pra voltar com uma grande conquista.

Mas hoje, quando eu sair da agência e abrir a porta da minha casa, vou encontrar o meu amigo, namorado, marido e parceiro desfazendo as malas. E vou chorar porque eu esperei 5 anos pra ver isso.

Bem-vindo a todas as minhas manhãs, Mr. Igor Vilela.